O Banco da Amazônia divulgou seu balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026, revelando um lucro líquido de R$ 47,5 milhões. Esse montante reflete a decisão estratégica da diretoria de priorizar a proteção do balanço patrimonial, aumentando as reservas financeiras contra possíveis calotes. Mesmo com a retração no lucro final decorrente dessa postura preventiva, a atividade comercial principal da instituição financeira demonstrou alto vigor e resiliência diante das incertezas da economia.

Desempenho comercial e alta no faturamento
A operação central do banco registrou forte aceleração nos três primeiros meses do ano. Os ganhos com intermediação financeira avançaram 16,5%, atingindo R$ 1,66 bilhão. Paralelamente, as demais receitas operacionais da instituição somaram R$ 872,2 milhões, o que representa um salto de 20,2% na comparação trimestral. Segundo o presidente da instituição, Luiz Lessa, o banco expandiu suas frentes de faturamento mesmo enfrentando um cenário de taxas de juros elevadas, variações no câmbio e problemas climáticos que atingiram os clientes locais.
Evolução da carteira de crédito e solidez patrimonial
Mantendo sua missão de impulsionar a Região Norte, o banco expandiu sua carteira de crédito em 14% em doze meses, alcançando o montante de R$ 68,2 bilhões. Esse avanço nos financiamentos foi sustentado pelo fortalecimento do Patrimônio Líquido, que cresceu 7,3% no período. A segurança institucional das operações foi chancelada pelo Índice de Basileia, que se fixou em 13%, garantindo uma folga confortável em relação aos limites exigidos pelos órgãos reguladores.
Desafios na inadimplência e ações mitigatórias
O panorama econômico complexo e a transição para as regras da Resolução CMN nº 4.966 de 2021 impactaram a qualidade dos ativos, elevando a taxa de inadimplência para 5,39%, puxada majoritariamente pelo agronegócio. Em contrapartida, o banco adotou uma estratégia conservadora e elevou as despesas com provisões para R$ 737,1 milhões. Essa blindagem financeira reduziu temporariamente a rentabilidade (ROAE) para 12,19%. Para corrigir o indicador, a gestão endureceu os critérios de concessão, passou a exigir garantias reais robustas e intensificou a cobrança preventiva.
Foco no futuro e sustentabilidade
Os executivos do Banco da Amazônia preveem a recuperação gradual das margens de rentabilidade ao longo de 2026. A estratégia de retomada está ancorada na continuidade da modernização digital, no controle rigoroso dos riscos de crédito e na ampliação de linhas de financiamento voltadas à economia verde e ao clima, preservando o compromisso de fomento na Amazônia Legal.