Para desvendar os caminhos, as escolhas e os desafios por trás de uma grande mostra, o Centro Cultural Banco da Amazônia promoveu a mesa-redonda “Ações Curatoriais”, evento que marcou o encerramento da emocionante exposição panorâmica Uma Belém no Olhar de Alguém.
O encontro proporcionou uma rica troca de experiências e reflexões sobre as estratégias de mediação cultural. Conduzido pelo curador da exposição, Emanuel Franco, e pela historiadora, antropóloga e escritora, Dayseane Ferraz, o debate evidenciou como a narrativa expositiva é construída e de que maneira ela orienta a experiência do público visitante no contexto histórico de celebração da capital paraense.
O que é uma ação curatorial?
Para o público, a exposição é o produto final, mas o caminho até a abertura das portas é longo e criterioso. Durante o bate-papo, Emanuel Franco detalhou as etapas desse processo:
“A ação curatorial passa por vários momentos, desde a seleção das obras, o processo de montagem e layout até o final. É um projeto que envolve todos os segmentos a nível expositivo. Esta é uma exposição de profissionais de fotografia que vêm atuando no nosso estado, com uma produção extremamente significativa, com um conteúdo voltado ao aniversário da cidade de Belém”, explicou o curador.
O grande desafio da equipe foi justamente a seleção, devido à altíssima qualidade narrativa das imagens que retratam Belém, exigindo um olhar ainda mais sensível para traduzir a essência da cidade em uma galeria.
A “36ª obra” da exposição
Um dos momentos mais marcantes da mesa-redonda e de todo o processo expositivo foi a sinergia entre imagem e palavra. O texto curatorial, assinado por Dayseane Ferraz, foi tão fundamental para a construção de sentido e para o percurso narrativo da mostra que foi carinhosamente batizado por Emanuel Franco como a “36ª obra” da exposição.
Fiquei muito satisfeita de o Emanuel dizer que o texto é a 36ª obra. Ele é uma construção mediadora do acervo. As imagens conformam a cidade e têm a sua autoria; então, o texto funciona como essa linguagem que concatena esse olhar. É um recorte que passa pelo patrimônio edificado, pela memória imagética do patrimônio imaterial e pelas pessoas capturadas, indo desde a arquitetura monumental até a arquitetura do cotidiano, destacou Dayseane.
Tirando a memória da escuridão
A mesa-redonda também abriu espaço para quem está por trás das lentes. As fotógrafas e integrantes da exposição, Fabíola Tuma e Marise Maués, compartilharam como a experiência fortaleceu os laços dos artistas com a cidade e com o espaço cultural.
Marise fez uma reflexão poética sobre a importância de espaços expositivos para a preservação da memória visual do Pará: “Belém tem uma grande produção fotográfica e, muitas vezes, ela está dormitando nos nossos HDs. Quando existe uma exposição como essa, nós vamos a esses arquivos e vemos quanta memória temos guardada. A fotografia só tem luz quando sai desses arquivos; senão, ela fica na escuridão.”
Um patrimônio cultural para a cidade
O evento de encerramento reforçou o compromisso do Banco da Amazônia com a democratização da arte. Para Fabíola Tuma, o saldo da mostra vai além das fotografias expostas: é a consolidação de um espaço de diálogo.
A gente acaba criando laços com a exposição e com o lugar. Parabéns ao Banco da Amazônia por essa iniciativa de tornar um espaço público tão rico, com tanta memória e história, que acaba sendo um verdadeiro patrimônio cultural para a nossa cidade, celebrou Fabíola.
O encerramento de Uma Belém no Olhar de Alguém deixa um legado de valorização da nossa identidade visual e reforça o Centro Cultural Banco da Amazônia como um dos principais palcos da arte contemporânea e documental da Região Norte.
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