Por Diego Santos Lima

Diretor Corporativo do Banco da Amazônia

Gerenciar pessoas no maior banco de desenvolvimento regional do país é um desafio que transcende os manuais de recursos humanos ou as métricas tradicionais de produtividade. Atuamos em uma região singular, marcada por uma rica diversidade de povos, culturas, saberes e histórias.

Por essa razão, sempre tive a convicção de que o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a equidade precisa se manifestar, em primeiro lugar, dentro da nossa própria casa, na forma como construímos as nossas relações institucionais cotidianas. Afinal, a riqueza da Amazônia não está apenas na sua biodiversidade, mas na pluralidade da sua gente — e o mesmo se aplica ao nosso Banco.

É com uma alegria profunda e genuína que celebramos a conquista do Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça. Para nós, essa certificação não representa uma mera distinção burocrática ou um selo decorativo para estampar relatórios anuais. Ela traduz uma jornada longa e madura que temos construído ao longo dos anos, pautada pelo diálogo aberto, pelo aprendizado contínuo e pelo compromisso permanente de colocar as pessoas no centro das nossas escolhas.

O selo reconhece o caminho que temos percorrido na construção de um ambiente de trabalho mais justo, respeitoso e inclusivo, onde as diferenças são acolhidas e compreendidas como parte da nossa verdadeira riqueza humana e institucional. Gosto de dizer aos nossos times que, no Banco da Amazônia, você é livre para ser quem é. Esse, talvez, seja o maior e mais profundo significado dessa conquista.

O posicionamento estratégico frente ao mercado e à sociedade

No cenário financeiro contemporâneo, a governança corporativa e a responsabilidade social deixaram de ser itens opcionais. Receber o Selo Pró-Equidade demonstra à sociedade civil e ao mercado que entendemos a diversidade não apenas como um valor humano inegociável, mas também como uma dimensão estratégica vital para organizações que desejam permanecer relevantes, inovadoras e profundamente conectadas às transformações do nosso tempo. Não há como promover a sustentabilidade lá fora se não cultivarmos a justiça social aqui dentro.

Essa conquista é fruto de uma verdadeira jornada de transformação institucional. Para alcançá-la, foi necessário estruturar e implementar mudanças profundas. Desenvolvemos e consolidamos uma robusta Política de Diversidade, Equidade e Inclusão; ampliamos os espaços de escuta ativa; promovemos ações educativas contínuas e incorporamos essa pauta de maneira consistente e transversal às nossas práticas de gestão de pessoas.

No entanto, avalio que a maior mudança não foi normativa, mas cultural: foi a nossa capacidade coletiva de olhar para dentro, reconhecer com humildade as oportunidades de evolução e compreender que uma cultura inclusiva se constrói todos os dias, tanto nas grandes decisões executivas quanto nas pequenas atitudes do cotidiano.

A revisão de processos e os marcos históricos na liderança

Para garantir que a equidade deixasse de ser um discurso abstrato e passasse a operar na prática, revisamos e aperfeiçoamos continuamente os nossos processos de recrutamento, seleção e promoção. Trabalhamos para assegurar critérios cada vez mais transparentes, objetivos e estritamente alinhados às competências necessárias para cada função.

Para mim, equidade significa criar condições reais para que todas as pessoas tenham oportunidades autênticas de crescimento profissional, podendo explorar seu potencial máximo e seu talento sem barreiras invisíveis.

Um marco fundamental desse movimento ocorreu em 2022, quando realizamos um processo seletivo interno voltado especificamente ao incentivo da liderança feminina. O resultado foi histórico: elegemos a primeira mulher a compor a Diretoria Executiva do Banco da Amazônia.

Para uma instituição com mais de oito décadas de trajetória, que nunca havia tido uma diretora, esse foi um divisor de águas. E esse cenário continuou evoluindo. Mais recentemente, uma nova diretora assumiu a nossa carteira comercial, fazendo com que, pela segunda gestão consecutiva, o Banco conte com mulheres em sua Diretoria Executiva.

Esses avanços ganham ainda mais relevância quando olhamos criticamente para o histórico da nossa instituição. Ao longo das últimas 29 gestões do Banco, tivemos apenas uma única mulher ocupando a Presidência, e, em toda a nossa trajetória até o ano de 2022, nenhuma profissional havia chegado a ocupar uma cadeira na Diretoria Executiva.

O fato de estarmos hoje na nossa segunda gestão consecutiva com lideranças femininas na Diretoria Executiva — agora liderando a Diretoria Comercial — consolida que esse movimento não foi um evento isolado, mas sim uma mudança de mentalidade definitiva.

Essa diversidade de olhares amplia nossas perspectivas, enriquece a tomada de decisões estratégicas e contribui para uma gestão mais plural, resiliente e sintonizada com os anseios da sociedade.

E esse é apenas o começo da nossa caminhada. Não queremos apenas celebrar marcos isolados; nosso objetivo é criar as condições estruturais para que, no futuro, a participação das mulheres nos espaços de decisão seja cada vez mais natural, ampliada e presente em todos os níveis hierárquicos. Quando a liderança se torna plural, toda a organização ganha.

O Nosso “Jeito de Ser”: a cultura viva no dia a dia

A identidade do Banco da Amazônia vai muito além do que está escrito nos normativos, manuais de integração ou quadros na parede. Ela ganha vida na forma como as pessoas se tratam, nas decisões que tomam e na maneira como trabalham juntas sob pressão. Temos um “Jeito de Ser” que se manifesta em quatro pilares fundamentais de atitude diária:

  • Cliente não é número: Enxergamos pessoas e histórias humanas por trás de cada contrato ou linha de crédito operada.
  • O banco é um só: Rejeitamos a cultura de silos isolados e investimos fortemente na colaboração mútua, na escuta e no trabalho em equipe.
  • Evoluir é desafiar o comum: Estimulamos a coragem para aprender, inovar e acolher diferentes perspectivas.
  • Resultado com propósito: Conciliamos desempenho financeiro de excelência, ética rigorosa e impacto positivo real na sociedade.

Sabemos que toda mudança cultural gera resistências legítimas. O maior desafio que enfrentei ao liderar a Gestão de Pessoas nesse processo foi difundir a compreensão de que falar sobre diversidade e equidade não significa segregar ou privilegiar determinados grupos, mas sim reconhecer histórias de vida diferentes e garantir que todos tenham o mesmo nível de segurança para contribuir. O papel das lideranças é fundamental aqui: somos nós, líderes, que ajudamos a transformar os valores institucionais em práticas concretas junto às equipes.

A equidade real se manifesta em comportamentos simples: na escuta genuína, no respeito às trajetórias individuais, na abertura para aprender com o outro e na garantia de que todas as vozes tenham assento e espaço de fala na mesa. Quando escolhemos compreender antes de julgar, quando colaboramos em vez de competir e quando reconhecemos legitimamente os méritos das pessoas, estamos transformando o discurso em cultura viva.

Segurança psicológica, inovação e o papel estratégico do RH

Como Diretor, entendo que a Gestão de Pessoas atua como a ponte vital entre a estratégia de negócios do Banco e a experiência real do nosso empregado. Cuidar das pessoas é, fundamentalmente, uma estratégia de negócio inteligente. Ambientes corporativos em que as pessoas desfrutam de segurança psicológica — ou seja, sentem-se seguras para expressar suas ideias, compartilhar opiniões divergentes e apresentar novos pontos de vista — são comprovadamente mais criativos, colaborativos e inovadores.

A inovação não nasce do isolamento ou da homogeneidade; ela emerge justamente da fricção saudável de diferentes experiências de vida, olhares e conhecimentos. Quando os nossos profissionais não precisam gastar energia tentando esconder quem são ou moldar suas individualidades a padrões rígidos, eles conseguem canalizar o melhor de seus talentos para o trabalho. Equipes que se sentem respeitadas, seguras e valorizadas tornam-se mais engajadas, produtivas e mais bem preparadas para gerar valor e impacto positivo para os nossos clientes.

Para garantir que essa cultura se renove, mantemos canais permanentes de diálogo e escuta ativa, permitindo que os colaboradores ajudem diretamente a moldar o ambiente de trabalho.

Além disso, investimos continuamente no cuidado com a saúde física e mental por meio de plataformas de apoio especializado. Entendemos que um ambiente saudável só se constrói quando as pessoas se sentem verdadeiramente acolhidas, cuidadas e respeitadas desde o primeiro dia. Um novo funcionário deve perceber essa cultura de equidade logo nos seus primeiros meses de banco, ao observar o exemplo prático de suas lideranças e ao notar que suas contribuições são ouvidas e validadas.

O Selo como ponto de partida para o futuro

O Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça é motivo de um imenso orgulho para todos nós, mas ele definitivamente não representa a nossa linha de chegada. Ao contrário: ele funciona como um marco regulatório que reafirma a nossa responsabilidade de continuar avançando. Ele nos motiva a seguir em frente com os olhos postos no futuro.

Temos uma disposição institucional inabalável para aprender sempre. Nosso compromisso de longo prazo é continuar evoluindo, ampliando oportunidades e garantindo que cada profissional encontre no Banco da Amazônia um território seguro de respeito, desenvolvimento e pertencimento. A verdadeira transformação acontece quando os valores deixam de ser uma pauta de reuniões e passam a fazer parte indissociável da nossa identidade.

Diversidade, equidade e inclusão representam exatamente isso: um compromisso ético e permanente com a construção de um ambiente em que todas as pessoas tenham voz e oportunidades iguais de crescimento. Esse é o meu compromisso pessoal como Diretor e a nossa tática coletiva para continuar impulsionando, por meio das pessoas, o futuro sustentável da Amazônia.