Ela é a face mais conhecida da economia brasileira. Presente em todas as cédulas, da nota de dois aos duzentos reais, ela observa o fluxo da nossa história e do nosso comércio. No entanto, poucos sabem que esse rosto não pertence a uma pessoa de carne e osso que viveu entre nós, mas sim a um ideal.

O rosto que vemos no Real é a efígie da República, uma representação simbólica do Estado e dos valores democráticos. Entender sua origem é fazer uma viagem pela história da arte, da política e da nossa própria identidade nacional.

A origem: do Iluminismo ao Brasil

A figura feminina como personificação da República nasceu na França, após a Revolução de 1789. Chamada de Marianne, ela simbolizava a ruptura com a monarquia e o nascimento de uma era de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Quando o Brasil proclamou a República em 15 de novembro de 1889, os novos governantes buscaram símbolos que representassem essa transição. A efígie da República foi adotada por ser um ícone universal da soberania do povo. Antes de estampar o Real, criado em 1994, ela já havia aparecido em diversas moedas e selos brasileiros ao longo do século XX.

A simbologia oculta: barrete e louros

Se você observar a nota de Real contra a luz, notará detalhes que carregam séculos de significado:

  • O barrete frígio: Aquela espécie de touca que a mulher utiliza tem um significado profundo. Na Roma Antiga, era entregue aos escravos no momento de sua libertação. Durante a Revolução Francesa, tornou-se o símbolo máximo da liberdade. No Real, ele reforça que a República é um regime de homens e mulheres livres.
  • A coroa de louros: Envolvendo o barrete, as folhas de louro representam a vitória e a glória. É uma herança da tradição greco-romana para honrar aqueles que alcançaram grandes feitos, simbolizando a soberania vitoriosa da nação brasileira.

Existe uma inspiração real?

Embora seja uma alegoria artística, o design atual do Real (especialmente a partir da Segunda Família, lançada em 2010) é fruto de um refinamento estético minucioso.

Um fato curioso é que, na década de 1970, o Banco Central utilizou o rosto da atriz Tônia Carrero como inspiração para algumas moedas de Cruzeiro. Já na versão atual das cédulas, circula a história de que a gravadora do Banco Central, Benedicta Adnet, teria usado suas próprias feições como base para esculpir a efígie.

Oficialmente, porém, o Banco Central a define como uma figura puramente simbólica, sem nome ou identidade civil.

Por que a efígie divide espaço com a fauna?

Uma das características mais marcantes do Real é a união entre a História (anverso) e a Natureza (verso). Enquanto a efígie representa a organização social e política, os animais (como a Arara, o Mico-Leão-Dourado e a Onça-Pintada) representam a biodiversidade e a riqueza ambiental do Brasil.

Essa combinação reforça a ideia de que o desenvolvimento econômico deve caminhar junto com a preservação do nosso patrimônio natural.

O valor além do papel

A mulher na nota de Real é um lembrete constante dos valores que sustentam o país. Ela representa a estabilidade alcançada e o compromisso com a democracia.

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