Vamos mergulhar em Macapá com os bonecos gigantes do bloco A Banda, figuras colossais de 5 a 6 metros que roubam a cena e carregam nas costas a história do Amapá.
Essas alegorias representam pessoas reais que marcaram a identidade do estado, transformando o Carnaval em celebração coletiva da memória amapaense.
Você já viu A Banda passar?
No Carnaval do Amapá, ela passa diferente. Entre os 200 mil foliões que acompanham o bloco A Banda, quem domina o olhar são os bonecos gigantes: ícones vivos que homenageiam figuras que construíram a história local.
Criados no final dos anos 60 e completando 61 anos em 2026, esses personagens carregam nomes e narrativas ligadas diretamente ao imaginário e à memória do povo amapaense.
Dos anos 60 à grandiosidade cultural de hoje
Tudo começou quando a música “A Banda”, sucesso nacional de 1967, inspirou um grupo de amigos a criar sua própria festa de rua em Macapá. Nasceu assim o bloco A Banda, que logo adotou os bonecos gigantes como assinatura cultural.
O que era brincadeira espontânea se transformou em tradição respeitada, com estruturas que hoje medem até 6 metros e demandam equipes inteiras para construção e desfile.
Chicona e Mestre Sacaca: rostos da história
Os bonecos não são genéricos, cada um tem nome e história. A primeira boneca gigante foi Chicona, homenagem a uma enfermeira querida da cidade que simbolizava o cuidado comunitário.
Entre as figuras mais emblemáticas está o Sacaca, “doutor da floresta” respeitado por seu conhecimento ancestral das ervas medicinais amazônicas. Que, inclusive, vai ser homenageado no enredo da escola de samba Mangueira este ano.
Conhecido por garrafadas, chás e unguentos que curavam a comunidade, Sacaca representa a sabedoria indígena e a conexão profunda com a natureza que define a identidade amapaense.
Artesanato coletivo por trás dos gigantes
Por trás de cada boneco gigante, existe dedicação comunitária impressionante. Costureiras cortam mais de 10 metros de tecido colorido para os trajes, estruturas de madeira e arames sustentam o peso, e artesãos voluntários trabalham meses para dar vida a cada homenagem.
É o trabalho em equipe que transforma figuras históricas em protagonistas da folia, conectando passado e presente através do suor coletivo da comunidade.
A Banda é do Povo
Dizem que “A Banda é do Povo”, e as ruas provam isso. De todas as idades, os foliões dançam ao redor dos gigantes, cantam marchinhas tradicionais e celebram juntos aqueles que ajudaram a construir a cultura local.
Enfermeiras como Chicona, curandeiros como Mestre Sacaca, políticos, artistas, todos ganham vida em tamanho XXL, desfilaram pela Avenida FAB (circuito oficial) e reforçam o orgulho de ser amapaense.
Símbolos da memória coletiva
Os bonecos gigantes do A Banda funcionam como álbum de família público. Cada ano, novos personagens são adicionados ao panteão cultural, mantendo viva a memória de quem fez história na região.
Eles criam laços afetivos entre gerações: crianças que hoje brincam ao redor dos gigantes crescerão contando essas histórias para seus filhos, perpetuando a roda da memória popular.
Por que os bonecos gigantes importam?
Esses colossos de pano e madeira encapsulam a essência do Carnaval amapaense: capacidade de transformar história local em celebração coletiva, conexão direta entre comunidade e suas referências culturais, trabalho artesanal que gera identidade e orgulho regional, celebração viva da memória que não deixa ninguém ser esquecido.
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