Para os povos originários, o tempo não corre em linha reta. Ele se move em círculos, conectando passado e futuro, tradição e modernidade. Foi nesse ritmo que Solange, do povo Paiter Suruí, transformou uma roça familiar em café premiado nacionalmente, provando que mulheres indígenas têm capacidade de competir e vencer.
Conheça essa jornada no 7º episódio de “A vida da Amazônia começa em você”, websérie do Banco da Amazônia que celebra protagonistas reais da bioeconomia amazônica.
“Vamos fazer uma roça”
Tudo começou com uma proposta simples ao marido. Em 2019, Solange plantou os primeiros pés de café na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, Rondônia.
Sem agrotóxicos, sem irrigação artificial, apenas o conhecimento ancestral do povo Paiter Suruí combinado com técnicas de manejo agroflorestal que preservam a mata nativa.
“Café para nós é uma esperança. Para meus filhos, para minha família”, explica Solange.
A porta que finalmente se abriu
Buscar crédito como indígena nunca foi fácil. Solange bateu em portas que se fecharam, ouviu “nãos” e enfrentou a burocracia que desconhece a realidade dos povos originários.
Até encontrar o Banco da Amazônia. Através do PRONAF, a instituição aprovou o financiamento que permitiu expandir a produção e investir na qualidade dos grãos.
“Eu fui no outro banco procurando apoio, dai ele nunca abraçou aquela causa e você tá abraçando aquela causa, não é fácil. Coisa de não ter documentação é muito difícil”, relembra Solange, emocionada, sobre o momento em que soube da aprovação.
Primeira indígena no pódio
Em 2022, Solange fez história. Inscreveu seu café no Concurso Florada Premiada e conquistou o terceiro lugar: a primeira mulher indígena a subir naquele pódio.
“A gente chorou bastante. A gente tem capacidade de fazer coisa qualidade, igual não indígena”, celebra.
Hoje, mais de 350 famílias Paiter Suruí cultivam café robusta na região, abastecendo marcas como 3 Corações e colocando o robusta amazônico no mapa da cafeicultura nacional.
Guerreira que representa todas
No dia da premiação, Solange escolheu cuidadosamente o que vestir. Uma camisa que traduz sua identidade: “Sou mulher guerreira, nunca desisto do sonho.”
“Eu não represento só minha família, não. Eu represento todas mulheres do Brasil, porque a gente tem capaz de conseguir aquilo que a gente queria”, declara.
Na língua materna, Paiter Suruí significa “gente de verdade”. E Solange prova isso todos os dias: cultivando café, preservando a floresta e abrindo caminhos para as próximas gerações.
Assista ao episódio completo
“Solange e o Tempo” convida você a repensar o ritmo da vida e reconhecer o papel dos povos indígenas na construção de uma Amazônia sustentável.
A vida da Amazônia começa na Solange. A vida da Amazônia começa em você.
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