Uma foto de infância tirada pelo fotógrafo japonês Hiromi Nagakura durante uma corrida na aldeia emocionou um líder indígena ao ser reencontrada na exposição “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, que está em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, até o dia 22 de fevereiro.
Memória viva de uma corrida
O indígena recorda vividamente o dia em que a imagem foi capturada.
“Essa foto aqui foi tirada pelo Hiromi Nagakura. Eu me lembro muito bem. Naquela época tinha um pátio. O cacique chamou tanto crianças, jovens, mulheres para uma cantoria. E logo depois ia ter uma corrida ao redor da aldeia”, descreve ele.
Ele explica o momento engraçado que o excluiu da foto final:
“O cacique deu largada pra gente correr. Antes de sair para fazer uma volta, eu caí e aí parou aí mesmo. O pessoal terminou a largada e eu não estou aqui porque, infelizmente, houve um acidente, eu caí e no final, todo mundo sabe, eu chorei.”
Essa cena captura a espontaneidade da vida comunitária na aldeia, registrada durante as viagens de Nagakura pela Amazônia nos anos 1990.
Um encontro que celebra memória, arte e resistência
A história desse retrato ganha ainda mais força dentro da programação especial que celebrou os 410 anos de Belém no Centro Cultural Banco da Amazônia.
Durante três dias de encontros, diálogos e oficinas, o espaço reuniu saberes ancestrais e pensamento contemporâneo com a presença de Ailton Krenak – primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras – e de Hiromi Nagakura, que se reencontraram para recordar as viagens que fizeram juntos pela Amazônia na década de 1990, visitando aldeias nas cabeceiras dos rios Juruá, Negro, Demini, Tarauacá e Gregório, além de regiões de cerrado e floresta.
Mesas de conversa, debates com lideranças indígenas e oficinas de tecelagem e pintura corporal transformaram a galeria em um ponto de encontro entre povos da floresta, educadores, pesquisadores e público em geral, aprofundando temas como território, futuro, formas de aprender e a força dos conhecimentos ancestrais.
Assim, o reencontro do indígena com sua própria fotografia se insere em um contexto mais amplo de partilha de histórias, cosmologias e modos de vida que a exposição se propõe a visibilizar.
Reencontro emocionante na exposição
Décadas depois, a foto ressurgiu na mostra belenense.
“Eu fiquei sabendo através da Elisa, que é a tradutora do Nagakura. Ela ligou para mim e disse que tinha uma foto minha na exposição. E eu fiquei alegre porque eu não lembrava de que foto se tratava. E quando eu vi, eu me emocionei um pouco”, relata o indígena.
Ele reflete sobre as mudanças:
“De lá pra cá, muita coisa mudou. Vendo esse retrato, eu agradeço ao Nagakura por ter guardado uma história pra mim, ver e poder me incentivar mais a visitar e também falar mais sobre a nossa cultura.”
Essa gratidão destaca o poder da fotografia em preservar memórias ancestrais.
A exposição celebrou encontro entre culturas
A exposição reune 82 fotos inéditas no Brasil, tiradas por Nagakura em viagens com Ailton Krenak entre 1993 e 1998 por rios como Juruá, Negro e territórios indígenas (Ashaninka, Huni Kuin, Krikati e outros).
Curada por Krenak, ela traz memória, resistência e ancestralidade, com patrocínio do Banco da Amazônia.
Em Belém, a mostra ganha programação especial, com debates, rodas de conversa, oficinas e a presença de lideranças indígenas, integrando as celebrações dos 410 anos da cidade e reforçando o Centro Cultural Banco da Amazônia como espaço de encontro entre arte, território e histórias de vida.
Legado de preservação cultural
“Só agradeço muito ao Nagakura por esse retrato e também essa exposição aqui, esse momento”, conclui o indígena.
Essa narrativa pessoal ilustra como a exposição conecta passado e presente, incentivando o diálogo sobre a cultura amazônica.
Acompanhe as próximas programações
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