O Boi Pavulagem voltou às ruas de Belém com o Batalhão da Estrela e convidados especiais para o 3º Arrastão da temporada. A grande festa é um dos marcos mais tradicionais do calendário cultural da capital paraense.

No entanto, a manifestação vai muito além das toadas e das coreografias. O Arrastão possui uma identidade própria que começa nos adornos, passa pela ocupação do espaço físico e ganha vida nos personagens que acompanham o trajeto.

Confira algumas curiosidades sobre os elementos que formam a identidade visual dessa grande celebração da cultura popular de Belém.

O céu de bandeirinhas e o chapéu de fita

A identidade do Arrastão é visual e tátil. Antes mesmo da música começar, o espaço físico já anuncia a festa. A decoração com milhares de bandeirinhas coloridas cria uma atmosfera única por onde o cortejo passa, transformando as ruas da cidade no cenário oficial da manifestação.

No meio da multidão, o grande destaque visual vai para o icônico chapéu de fita. Usado por brincantes de todas as idades, o adorno colorido não é apenas um acessório, mas um símbolo de pertencimento. Vestir o chapéu é o rito de passagem para entrar oficialmente no clima do Arrastão.

Quem forma o Batalhão da Estrela?

Quando falamos no Batalhão da Estrela, é comum pensar apenas nos músicos que vão à frente ditando o ritmo, mas o grupo é formado por uma diversidade incrível de figuras. O Batalhão é um coletivo que integra desde os instrumentistas até os artistas de rua que dão movimento ao cortejo.

Entre essas figuras, destacam-se:

  • Os Pernautas: Brincantes em pernas de pau que se elevam acima da multidão, garantindo o visual grandioso e circense da festa.

  • Os Cavalinhos e Boiadeiros: No meio das cores, você notará pessoas “montadas” em pequenos cavalinhos ou boizinhos de tecido e espuma. Eles representam os domadores e boiadeiros, figuras tradicionais do folclore que vão pulando ao lado do Boi maior, animando o trajeto e interagindo com o público.

Os instrumentos e o ritmo amazônico

A identidade do Arrastão também é forjada pela sonoridade que reverbera no asfalto. Os instrumentos utilizados pelo Batalhão da Estrela carregam a essência da música regional.

A percussão pesada, os tambores, os chocalhos e os instrumentos de sopro se unem para criar o ritmo inconfundível que mistura referências do carimbó, do siriá e das toadas de boi.

Tudo isso funciona em conjunto: a música, o visual das fitas e as coreografias dos brincantes. É essa mistura de elementos que faz do Arrastão do Pavulagem uma manifestação tão forte na cultura popular de Belém.