Roda de conversa reúne professores e estudantes para debater ética e coautoria em projetos amazônicos.

Na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o Auditório Rio Amazonas (15º andar da matriz do Banco da Amazônia) sediou um encontro acadêmico transformador sobre arquitetura, ética e comunidades tradicionais da Amazônia. Vinculada à exposição Habitar a Floresta, a programação reuniu estudantes de Arquitetura e Museologia em duas sessões intensas:

Sessão 1: 14h às 15h30 – Turma 1
Sessão 2: 16h às 17h30 – Turma 2

As mediadoras Tainá Marçal e Natasha K. Leite conduziram o diálogo com as professoras Monique Bentes (FAU-UFPA) e Idanise Hamoy (UFPA). O debate estruturou-se nos eixos Territórios, Justiça Socioambiental e Descolonização do Projeto Arquitetônico, desafiando paradigmas da arquitetura convencional.

13 projetos arquitetônicos cocriados com comunidades amazônicas

A exposição Habitar a Floresta apresenta mais de 13 iniciativas arquitetônicas concebidas em colaboração direta com povos indígenas e comunidades ribeirinhas da Amazônia. Diferentemente de abordagens tradicionais que impõem soluções padronizadas, esses projetos colocam os saberes locais no centro do processo criativo.

Casas palafitas adaptadas às cheias sazonais do rio, escolas comunitárias integradas à paisagem nativa e centros de saúde que respeitam os fluxos culturais das comunidades compõem o acervo. Cada solução valoriza a sociobiodiversidade amazônica – a convergência entre diversidade cultural e biológica da região – propondo formas de habitar que enfrentam desigualdades históricas e promovem equidade territorial.

As reflexões que marcaram o debate

Profª Idanise Hamoy (UFPA) abriu a conversa problematizando visões históricas:

“Quando se pensa no habitar a floresta é você se relacionar com essa natureza.”

A professora resgatou a simbologia colonial brasileira que durante décadas celebrou a derrubada da floresta como progresso:

“Há muito tempo na história do Brasil existe uma simbologia de desenvolvimento que é derrubar a floresta, há uma foto de uma castanheira derrubada simbolizando isso, mas a castanheira é o símbolo de você pensar o outro, de você pensar o futuro.”

Profª Monique Bentes (FAU-UFPA) complementou sobre herança cultural:

“A gente tem que tentar pensar fazer da nossa herança cultural algo para o futuro.”

Monique enfatizou o valor pedagógico da exposição para estudantes de arquitetura:

“Como é ter uma linguagem que se aproxima? Quanto mais a gente se aproxima das comunidades a gente alcança isso.”

Quatro frentes temáticas que estruturaram o diálogo

Permanência territorial

Os projetos expostos demonstram como a arquitetura colaborativa fortalece a relação das comunidades com seus territórios ancestrais. Contrariando políticas históricas de deslocamento forçado, as soluções arquitetônicas garantem presença contínua dos povos tradicionais em suas terras.

Práticas construtivas amazônicas

Casas palafitas regionais e técnicas construtivas de países amazônicos vizinhos exemplificam arquitetura como diálogo ambiental. Essas soluções estruturais leves adaptam-se às cheias anuais e preservam a cobertura vegetal nativa.

Justiça socioambiental

A arquitetura emerge como instrumento político concreto para superar desigualdades estruturais. Os 13 projetos enfrentam diretamente questões como acesso à moradia digna, apropriação territorial e inclusão de saberes marginalizados.

Descolonização projetual

Rompimento radical com hierarquias tradicionais centro-periferia. Colocar comunidades como coautoras redefine quem detém legitimidade técnica no processo construtivo amazônico.

Arquitetura colaborativa como nova metodologia

A roda de conversa consolidou Habitar a Floresta como laboratório conceitual vivo, onde teoria acadêmica encontra prática concreta. Estudantes e professores saíram com novos referenciais sobre:

  • Diálogo intercultural como premissa fundamental da arquitetura amazônica
  • Cocriação como metodologia projetual legítima e eficaz
  • Arquitetura como prática política na promoção de equidade territorial
  • Estratégias concretas para permanência dos povos tradicionais

Visite a exposição que redefine o habitar amazônico

Habitar a Floresta permanece em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia com entrada gratuita:

Terça a sexta-feira: 10h às 19h
Sábados, domingos e feriados: 10h às 14h

A mostra oferece a profissionais de arquitetura, urbanistas, estudantes e público geral a oportunidade única de experienciar 13 formas concretas e viáveis de habitar a floresta respeitando seus ecossistemas complexos, povos originários e saberes milenares.

Centro Cultural como plataforma de pensamento crítico amazônico

O evento reforça o papel institucional do Centro Cultural Banco da Amazônia como espaço dedicado à escuta ativa e ao pensamento crítico sobre os desafios contemporâneos da região. Ao articular academia, profissionais da arquitetura e sociedade civil, o centro se posiciona como plataforma estratégica para debates que reverberam em políticas públicas e práticas profissionais.

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