Enquanto o Brasil voltava seus olhos para o Teatro Municipal de São Paulo em 1922, na Amazônia o movimento modernista já pulsava com uma identidade própria. Aqui, ser moderno não era “descolonizar o olhar” para enxergar a potência da nossa própria cultura, fauna e povo.

Conheça os intelectuais e artistas que foram os pilares dessa revolução estética no Norte do Brasil.

1. Bruno de Menezes e a “Academia do Peixe Frito”

Fundada em meados da década de 1920, a Academia do Peixe Frito em Belém foi um dos movimentos mais autênticos do país. Diferente dos salões burgueses, os intelectuais paraenses se reuniam nas barracas do Ver-o-Peso, entre o cheiro do rio e o sabor do açaí, para debater literatura.

  • Bruno de Menezes: O grande articulador. Com sua obra Batuque (1931), ele foi pioneiro ao fundir a vanguarda modernista com a temática negra e as religiões de matriz africana na Amazônia.
  • Dalcídio Jurandir: Um dos maiores romancistas do Brasil. Sua série “Extremo Norte” deu voz ao homem do Marajó e das periferias de Belém, trazendo um realismo social que fugia dos clichês exóticos.

2. Luiz Bacellar e o “Clube da Madrugada”

Em Manaus, a renovação veio com força total na década de 1950 através do Clube da Madrugada. O grupo rompeu com o academicismo tradicional e levou a poesia para as praças públicas da capital amazonense.

  • Luiz Bacellar: Considerado um dos poetas mais refinados da região. Em Frauta de Barro, ele uniu a sofisticação da forma à simplicidade dos temas cotidianos de Manaus e do rio, criando uma estética universal.
  • Thiago de Mello: Talvez o nome mais conhecido internacionalmente. Além de sua atuação política e do célebre Os Estatutos do Homem, Thiago foi um mestre em traduzir o sentimento de esperança e a conexão profunda do homem com a floresta.

3. Abguar Bastos: o elo com o nacional

Abguar Bastos foi fundamental para conectar o que se produzia no Norte com o restante do país. Em obras como A Amazônia que eu vi, ele aplicou as técnicas modernistas de fragmentação e agilidade para descrever a realidade amazônica, combatendo a visão romântica e ultrapassada que o Sul tinha da região.

4. As artes visuais e a identidade regional

O modernismo amazônico não ficou restrito às letras. Nas artes plásticas, nomes como Antônio Leonardo e Moacir Andrade foram essenciais. Andrade, em particular, dedicou sua vida a pintar a vida ribeirinha, as lendas e a geografia amazônica com traços modernos que ajudaram o mundo a entender a nossa estética visual.

O Modernismo como herança

Esses nomes não apenas escreveram livros ou pintaram quadros, eles construíram a base da nossa autoestima cultural. Eles provaram que a Amazônia é um centro produtor de pensamento e inovação.

O Banco da Amazônia valoriza essa trajetória, entendendo que o desenvolvimento da nossa região passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento da nossa identidade e pelo apoio aos novos talentos que continuam esse legado.

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