Por Ruth Helena Lima
Gerente Executiva de Marketing e Comunicação do Banco da Amazônia
Estar no centro financeiro e cultural do mundo, cercada por mentes brilhantes que ditam os rumos da economia e da sociedade global, é sempre uma experiência de grande impacto. Em período recente, tive o privilégio de vivenciar essa atmosfera ao integrar a primeira Delegação Brasileira de Liderança Feminina, uma iniciativa promovida pela plataforma Mulheres Inspiradoras durante a tradicional Brazil Week, em Nova Iorque.
Estar no icônico The News Building, no coração de Manhattan, e ser homenageada com o prêmio Inspiring Women of the Year – Nova Iorque foi um divisor de águas em minha trajetória. No entanto, o sentimento que me acompanhou ao subir naquele palco superou qualquer vaidade pessoal; foi a certeza de que aquela honraria carregava um significado coletivo e representativo.
Ao longo da história, os ambientes de grandes discussões macroeconômicas, as bolsas de valores e as rodadas de negócios internacionais foram territórios predominantemente masculinos. Romper essa barreira histórica e ocupar esses espaços de braços dados com executivas de gigantes globais, de setores que vão da tecnologia e mídia ao agronegócio e às finanças, é uma afirmação prática e incontestável de que as estruturas corporativas estão mudando.
Contudo, o meu maior orgulho durante essa jornada em Nova Iorque não se resumiu a sentar-me a uma mesa de destaque internacional. Meu verdadeiro propósito foi levar a voz, a resiliência, a inteligência e o imenso potencial da mulher amazônida para um ecossistema global de decisão e influência, mostrando que a nossa região produz lideranças do mais alto calibre.
Para nós que fazemos o Banco da Amazônia, apoiar, incentivar e vivenciar agendas internacionais dessa magnitude não é uma escolha fortuita; é o reflexo de um compromisso institucional inegociável.
Entendemos com clareza que a diversidade, a inclusão produtiva e a equidade de gênero não são meros tópicos de discursos corporativos, mas sim pilares estratégicos vitais para o desenvolvimento sustentável da nossa porção do território nacional. Afinal, quando olhamos para os desafios e o futuro da Amazônia Legal, percebemos que qualquer equação de crescimento econômico que ignore o fortalecimento socioeconômico das mulheres está fadada ao fracasso.
Essa premissa se manifesta em todas as esferas da nossa atuação. Dentro da nossa estrutura organizacional, o avanço feminino em posições de alta liderança oxigena a governança, trazendo um olhar analítico, inovador e humano para a tomada de decisões. Fora das nossas paredes, o impacto é ainda mais evidente: quando o Banco direciona soluções de crédito para o fomento da bioeconomia liderada por cooperativas de produtoras rurais, artesãs e extrativistas locais, estamos gerando uma reação em cadeia.
Apoiar financeiramente uma mulher na Amazônia significa garantir que o recurso seja revertido de forma direta na segurança alimentar, na educação dos filhos, na saúde da comunidade e, sobretudo, na preservação da floresta por meio de práticas sustentáveis e de manejo correto.
A verdadeira internacionalização da liderança feminina brasileira ocorre quando conseguimos estabelecer essa ponte indestrutível: conectar a sabedoria ancestral, as peculiaridades e os desafios das nossas realidades regionais com os mais complexos debates globais de governança corporativa e economia verde. O ecossistema global de negócios já não aceita mais o lucro pelo lucro.
A era da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) exige das corporações uma entrega real de valor social. E é nesse contexto que a liderança feminina se destaca. Nós trazemos uma capacidade inata de gerenciar crises com empatia, liderar processos complexos com transparência e desenhar estratégias a longo prazo que conciliam produtividade com responsabilidade socioambiental.
Sob a ótica da comunicação e do marketing estratégico, vertentes que guiam minha atuação diária, ocupar esses palcos globais é fundamental para reposicionar a narrativa sobre a nossa região. Promover a marca da Amazônia no exterior não se resume a exaltar suas riquezas naturais; trata-se de comunicar ao mercado global a seriedade, a transparência e a maturidade das nossas instituições.
Quando mostramos que a nossa governança é pautada pela equidade e pela inclusão, elevamos a reputação institucional a padrões internacionais, atraindo investimentos que compreendem o real valor do desenvolvimento responsável e da conservação ativa.
Além disso, levar a nossa identidade para uma metrópole multicultural como Nova Iorque reforça que a diversidade é o nosso maior ativo competitivo. O diálogo com outras culturas não deve nos intimidar, mas sim consolidar a nossa segurança institucional. Ao compartilhar as soluções de fomento que desenvolvemos na Amazônia Legal com líderes de diferentes partes do mundo, percebi que os desafios de inclusão são globais, mas as nossas respostas locais carregam um nível de inovação, resiliência e sustentabilidade que o mundo inteiro busca replicar com urgência.
Diante disso, as mulheres que já alcançaram posições de destaque e decisão têm uma responsabilidade ética que vai além de suas metas individuais. Nós precisamos atuar como legítimas “puxadoras de redes”. Ocupar o topo de uma estrutura corporativa só faz sentido se usarmos essa posição para abrir portas, construir pontes e estruturar programas de mentoria que impulsionem e deem segurança para que novas líderes surjam, cresçam e permaneçam em suas posições de destaque. O empoderamento feminino não é um destino final, mas um processo contínuo de multiplicação de oportunidades.
Mais do que levantar bandeiras, o momento atual exige que transformemos a intenção em indicador e o discurso em impacto mensurável. A equidade de gênero deixa de ser uma pauta puramente social para se consolidar como um indicador crítico de eficiência e maturidade corporativa.
No ambiente financeiro moderno, bancos e fundos de investimento globais já associam a concessão de recursos a critérios rigorosos de governança inclusiva. Portanto, ao desenharmos estratégias que ampliam a participação feminina no mercado produtivo, não estamos somente cumprindo um dever ético; estamos blindando a sustentabilidade das nossas operações, resguardando o futuro do emprego regional e garantindo que o desenvolvimento econômico da Amazônia ande lado a lado com a justiça distributiva.
Volto de Nova Iorque com as energias renovadas e com uma certeza ainda mais sólida: a liderança feminina da nossa região não possui fronteiras geográficas, limitações técnicas ou barreiras setoriais. O mundo está atento à Amazônia, e nós, mulheres, estamos plenamente capacitadas para capitanear essa transição global rumo a uma economia mais verde, justa e inclusiva.
Ao celebrarmos essas conquistas em palcos mundiais, o recado principal e definitivo que deixo a cada colaboradora, parceira, empreendedora e cidadã da nossa rica região é: tenham orgulho de suas raízes e acreditem na força avassaladora de suas competências.
O futuro do mercado, da sustentabilidade e do desenvolvimento socioeconômico está sendo escrito no feminino, e a Amazônia, com a força de suas mulheres, já lidera esse capítulo histórico.