O 1º Grito de Carnaval no Centro Cultural Banco da Amazônia já deu o tom do ano: a folia começou cedo em Belém e, junto com ela, a celebração da reabertura deste espaço vivo de cultura, memória e formação de público.

Em uma manhã de domingo ensolarada, a Bateria Show das Crias do Curro Velho ocupou o hall e a Avenida Presidente Vargas com batuque, fantasias e história, em uma parceria fundamental com a Fundação Cultural do Pará (FCP).

O Ritmo da reabertura

O evento, que aconteceu das 10h30 às 11h30, transformou o Centro Cultural Banco da Amazônia em um verdadeiro reduto do samba paraense. A Bateria Show do Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho conduziu o público em um cortejo de percussão que misturou tradição, juventude e um repertório vibrante.

No palco, o enredo “FCP: 40 Anos de Cultura, Sonhos e Projetos na Amazônia” homenageou as quatro décadas da Fundação, costurando lembranças de projetos históricos com o presente das oficinas do Curro Velho. Entre ritmos tradicionais e composições autorais que refletem a identidade amazônica, o público relembrou sambas marcantes, aproximando Rio de Janeiro e Belém em um mesmo compasso.

Para o historiador Michel Pinho, que acompanhou a programação, o diferencial está no espaço ocupado:

O mais importante é trazer essa discussão para o centro de um Centro Cultural de um Banco. Fazer com que as pessoas se divirtam, olhem o espaço de lazer, dancem e se reencontrem, destacou.

Crias do Curro Velho: inclusão e gerações

As Crias do Curro Velho levaram para o Centro Cultural Banco da Amazônia um projeto que há mais de 35 anos forma crianças e adolescentes. A bateria, composta por adultos e crianças, evidenciou o caráter educativo e social da iniciativa.

Marquinho Melodia, voz e cavaquinho da banda, expressou a emoção do momento:

Uma satisfação imensa estar aqui com a bateria no Centro Cultural Banco da Amazônia. Isso satisfaz o coração, pois estamos na produção de cultura do nosso Estado do Pará.

A inclusão também foi um ponto alto. A foliã Fátima Pina, que aproveitou a manhã com o filho, celebrou a iniciativa:

Maravilhosa essa experiência. Estou com meu filho, que tem Síndrome de Down; nós amamos Carnaval e poderia ter todo domingo essas manifestações maravilhosas. Parabéns ao Centro Cultural Banco da Amazônia.

O Papel do Centro Cultural Banco da Amazônia

Ao receber o 1º Grito de Carnaval, o Centro Cultural Banco da Amazônia reafirmou seu papel como ponte entre cultura popular e instituições.

O espaço se consolida como polo de visibilidade para projetos sociais e artistas independentes. A foliã Linda Martel, acostumada a carnavais em outras capitais, aprovou a energia: “Estou muito feliz. Já participei no Rio, em São Paulo, e é ótimo ver esses blocos acontecendo aqui também”.

A programação de reabertura reforça a linha curatorial do espaço: celebrar a Amazônia em todas as suas camadas, da ancestralidade ao batuque da rua.

Para o público, a mensagem é clara: o carnaval no Centro Cultural Banco da Amazônia é formação de plateia, acesso gratuito à arte e ocupação de um edifício histórico por quem faz e vive cultura o ano inteiro.

Depois do Grito: Por que voltar?

Quem esteve no 1º Grito de Carnaval já saiu com o convite para retornar:

  • Visitar as exposições em cartaz: “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak”, “Uma Belém no Olhar de Alguém”, “Habitar a Floresta” e “Clima, um Novo Anormal”.
  • Programação gratuita: O espaço, localizado na Av. Presidente Vargas, 800, segue com agenda atualizada no site oficial e redes sociais.

O 1º Grito no Centro Cultural Banco da Amazônia inaugurou uma temporada em que o samba, a fotografia e a formação de jovens caminham juntos.

Quem não pôde participar ontem ainda pode sentir o eco desse batuque visitando o espaço, e acompanhando a programação atualizada no site oficial do Centro Cultural Banco da Amazônia.